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Notícias - 05 / 07 / 2021

A crise já passou?

Foi em 1982 que a inflação rompeu a barreira de 100%. Na época, a moeda era o Cruzeiro e as prateleiras dos supermercados ficavam vazias. Em 1990 tínhamos uma inflação de 1.620,97%, com um PIB negativo de 4,3%. Um cenário assustador, não é mesmo? (mas ainda melhor que 1989, onde o índice foi de 1.972,91%). Essa era a realidade da época. E então vem a pergunta: mas como isso ocorreu? Ninguém percebeu? Ninguém fez nada? Como o país não implementava políticas para reduzir a inflação? E o principal: como o povo guardava dinheiro/investia na época?

Imóveis e comida.

Bem-vindo à década de 80: PIB encolhendo, moratória e inflação sem controle. Chegamos à década perdida, e vivemos uma parecida nos últimos anos.

E de lá pra cá vivemos muitas outras crises: a crise dos tigres asiáticos, no final da década de 90, sendo essa a primeira a nível global, pelo menos da forma como entendemos a globalização hoje. Inclusive, data dessa época um dos maiores empréstimos feitos pelo FMI a um país, e óbvio que causou desemprego em massa, falta de suprimentos básicos, como remédio e comida (naquela região), falências de negócios, etc.

E por aqui? Recorremos ao FMI, de novo.

Não vamos nos esquecer da crise russa (causada pela migração de regime, para o capitalismo), e no Brasil o câmbio flutuante (1999), a desvalorização da moeda continua, o capital estrangeiro sai do país, o déficit aumenta, afinal, mexe com câmbio e altera os índices comerciais (importação/exportação) e, com isso, a inevitável e nossa já velha conhecida indústria nacional prejudicada, aumentando o desemprego, que faz a renda recuar e que, com menor produção e força interna, reduz produtividade.

Não para por aí: bem-vindo à recessão mundial do início do milênio (2001-2003). Aqui os ataques de 11 de setembro deram o tom. E se lembram da crise do apagão? Para os mais jovens: essa crise foi nacional e afetou o fornecimento e distribuição de energia elétrica entre 1 de julho de 2001 e 19 de fevereiro de 2002, e lá vem racionamento, blecautes, etc. Crise do subprime (2008):  essa é mais recente e todos se lembram dela, assim como da nossa recessão de 2015/2016, quando o índice chegou na casa dos 30.000 mil pontos.

E então chega a pandemia, a COVID-19.

Milhões de vidas perdidas, negócios fechando, pessoas perdendo emprego, miséria aumentando e as incertezas eram as únicas constantes – foram por mais de um ano.

Em todas essas crises o Ibovespa vivenciou quedas, em algumas maiores, em outras menores, mas em nenhuma o índice passou ileso. E por qual motivo?

Pelo fato de que as ações são negócios e as cotações refletem os resultados desses negócios, mas também o pânico e a aversão ao risco. Portanto, a queda nesse cenário atual de coronavírus e da crise (de novo) do petróleo, não é algo inimaginável. Afinal, a crise com as empresas paradas e com falta de demanda em alguns negócios terá consequências financeiras nas empresas, principalmente nas pequenas e médias, que são as grandes geradoras de empregos. E sabemos que sem emprego e sem renda não existe consumo, logo, existe um problema social incluso na conta, além obviamente de que, dependendo do tempo de restrição de circulação que gera a demanda, o mercado de crédito pode sofrer.

O governo tem suas medidas para tentar ajudar, mas lembre-se que dinheiro não dá em árvore. Logo, com dívida bruta alta e com deficit nas contas, alguém vai ter que pagar, e aqui aparece a inflação maior na tão aguardada “volta” do consumo após a crise.

Resumindo: se você souber no que está investindo, saberá o quanto o negócio tem projeção de ser afetado e, principalmente, o quanto ele possui de força para aguentar o tranco (capital, dívida sob controle, geração de caixa, tipo de demanda). Logo, poderá monitorar o desenrolar dos fatos e ir ajustando suas posições.

Veja a cotação dos ativos da sua carteira em 2020, no 2T, compare com os dias atuais e reflita: como tu se comportastes naquele momento? Tua carteira possui diversificação que constituiu uma proteção para cenários variados, ou apenas ficastes confuso sem saber o que poderia ser oportunidade e o que era uma armadilha?

As flutuações nos preços podem ajudar e muito o investidor de renda variável, se ele entender que a variação ocorre por diversos motivos e que a alta ou baixa volatilidade pode ajudar a formar uma carteira de ativos com possibilidades de maior e menor risco, assim como seus retornos estimados.

Volatilidade não é ruim, a não ser que você se desespere e abra o HB todos os dias e, a cada oscilação (pra baixo), sua atitude seja vender tudo para comprar quando a ação voltar a subir, ou seja, prejuízo após prejuízo até a desistência da renda variável ou até desenvolver algum problema de saúde causado pelo estresse, não conseguem passar intactos por balanços mais fortes nesse mar de investimentos.

É fato que o sobe e desce do preço das ações assusta muita gente, afinal, é preciso compreender o que causa essa oscilação de preços, que não é algo solto no universo e decidido por uma roleta. O mercado financeiro tem como base o volume, então aprenda a reconhecer esse comportamento nos preços e observar a tendência para operar com ela, nunca contra, para evitar a faca caindo, o preço médio sem fim, anos e anos de ativos em carteira sem remuneração ou valorização.

Afinal, a oscilação da cotação do ativo é um reflexo dos movimentos dos investidores, e a multidão nunca é totalmente racional, mas gera força. Por isso é importante usar sempre o mantra “ninguém vence o mercado”. Repita quantas vezes forem necessárias até aprender.

Em relação ao volume, alguém compra e alguém vende. Quanto mais crescentes, mais indicam tendência, e quanto mais fracos, maior a indicação que existe uma perda de força. E então, se o ativo for de alta volatilidade, essas tendências são mais significativas. E sabemos que o preço oscila pelas operações, um querendo vender o mais “caro” possível e o outro tentando comprar o mais “barato” possível, ou seja, oscila com base no comportamento dos investidores. A operação só ocorre quando um dos dois está disposto, por motivos diferentes, a ceder, e isso geralmente se dá quando existem projeções que suportam um crescimento dos resultados do negócio ou uma queda.

E também temos, em relação à análise de volatilidade do ativo, aqueles que sofrem menos em épocas de “vacas magras”, aqueles que não têm dívida, maduros, com capital, que geram caixa e são considerados mais previsíveis.

Hoje, o que movimenta o mercado é uma mudança na perspectiva econômica de investimentos no país, aquecimento das atividades (que ainda é muito fraca em alguns setores), mas é fato que ocorreu uma mudança frente à precificação dos ativos quando o risco país era maior, mesmo considerando a taxa de juros aumentando para segurar a inflação, que é fruto do aumento de preços dos alimentos, combustíveis e, agora, a energia, devido à estiagem e nossa dependência da matriz hidrológica, entre outros fatores. Ou seja, não estamos no paraíso com pleno emprego, crescimento orgânico, mas temos sim muitos investimentos em setores agro, industrial e de infraestrutura, porém isso leva tempo.

E com tudo isso ocorrendo, o prêmio de risco com taxas de juros maiores acabou mudando.

E sejamos sinceros, ninguém se incomoda com a volatilidade enquanto tudo está subindo, ou pelo menos não deveria, desde que esse avanço seja algo realista e possível para as empresas entregarem em resultados. A premissa não mudou: estude o ativo para compreender se é uma oportunidade que está ocorrendo ou o primeiro furo no barco, aquele que enche bem devagarinho e, quando tu percebes, já está lutando para tirar a água, ou então se joga no rio.

Até a próxima semana.

Plano Dica Beginner

 

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