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Notícias - 14 / 06 / 2021

O preço da ação caiu, e foi só porque tu comprou!

Leis de Murphy nos Investimentos

“Seis fases de um projeto: Entusiasmo; Desilusão; Pânico; Busca dos culpados; Punição dos inocentes; Glória aos não participantes”

Se você não está familiarizado com o assunto, aqui está um breve resumo: a expressão “Leis de Murphy” recebeu esse nome em 1949 devido ao resultado de um teste feito por um engenheiro chamado Edward Murphy. Porém, existem indicações de que as leis eram citadas no século XIX, mais especificamente em 1866, no livro “A Budget of Paradoxes”.

A Lei de Murphy se baseia em acaso (cisne negro) ou probabilidade (projeção/hipótese), e pode ser relacionada com qualquer coisa que possa dar errado. No que diz respeito à probabilidade, é importante lembrar que, matematicamente, a lei dos grandes números demonstra que quando aumenta a frequência relativa, a tendência é de que o número de observações aumente, e com ela a precisão de prova da hipótese.

Confuso?

Vamos simplificar: para compreender melhor, relacione com o senso comum, ele faz sentido porque a quantidade de amostra é suficientemente grande para não causar divergências significativas. Exemplo: o senso comum diz que uma bebida quente, como chá, ajuda a pessoa a se sentir melhor, ou então que se abrir o guarda-chuva dentro de casa, não vai casar… Quem quer casar não arrisca, né? Brincadeiras à parte, essa é a lógica: amostra grande – as divergências, que seriam os casos onde o chá não deu resultado, não são significativas. No meu caso, o café ajuda, chá não.

Tá bom, Patrícia, mas você disse que iria falar sobre investimentos.

Ok, eu vou.

Alguns exemplos de leis de Murphy que podem ser relacionados facilmente ao mercado financeiro:

  1. A fila do lado sempre anda mais rápido.

Adaptação: a cotação dos ativos que eu compro, sempre cai; dos que eu vendo, sempre sobe; acho que o problema sou eu.

Questão de probabilidade, ou seja, é renda variável e vai variar. Logo, há 50% de chance de cair ou subir. A tendência muda a partir do momento que você acredita ser mais forte que o mercado, ou seja, compra um ativo em clara tendência de baixa acreditando que sua compra é diferente e fará o ativo milagrosamente recuperar a cotação (exceção para multimilionários).

E como a base amostral é grande e os ativos diversos, sempre existirá alguém em algum momento que poderá afirmar a veracidade dessa lei no mercado.

  1. A probabilidade de o pão cair com o lado da manteiga virado para baixo é proporcional ao preço do carpete.

Adaptação: quanto maior a concentração em um ativo, maior a chance de perder patrimônio se algo der errado. Ou então, quanto maior a altura maior o tombo.

Quando o pão cai, a probabilidade é de 50/50 em relação ao lado da manteiga cair e sujar o carpete/chão e inutilizar a possibilidade de consumo do pão, porém existem variáveis a considerar, como por exemplo: se a cotação do ativo cair e ele perder fundamento ou ficar pouco/nada rentável durante muito tempo, o quanto representa de perda no seu patrimônio? O carpete (patrimônio) atribuído a esse ativo (pão) é muito significativo?

Se a fatia de pão cai em um carpete que representa 70% do seu patrimônio, o risco é maior. Então, se der errado você sentirá mais (no bolso) do que se o ativo representasse apenas 5% do patrimônio. Mas a probabilidade não é alterada, apenas possui mais risco, e quanto maior o risco maior a possibilidade de retorno ou de perda. Se cair, a manteiga suja o carpete e você se sentirá azarado; se não sujar, você se sentirá Bobby Axelrod.

  1. Quando um trabalho é mal feito, qualquer tentativa de melhorá-lo piora.

Adaptação: é frequente ouvirmos as seguintes frases: eu comecei investindo errado; eu não sabia o que estava fazendo; eu vendi tudo e voltei; eu nunca mais invisto porque nada é seguro, etc. O que é relativamente normal, afinal, ninguém nasce sabendo. Porém, a tentativa de melhorar algo que já começou errado tem uma probabilidade imensa de aumentar ainda mais o estrago. Por exemplo: eu faço meus primeiros investimentos em renda variável, pois o índice subiu muito, já é notícia nos jornais populares da TV aberta, além do que, o discurso “ganhar dinheiro na bolsa é fácil, tudo está subindo sem parar”, ganha mais e mais força e mais hipóteses comprovadas, afinal, aumenta a amostra e pontualmente o índice sobe e bate recordes.

Mesmo raciocínio para o famoso “fazer preço médio” quando a ativo começa a recuar por apresentar fraqueza nos resultados, e então compra-se um montante enorme de dinheiro (desequilibrando o percentual na carteira), afinal, é uma “chance imperdível”.

Para completar, a minha preferida:

  1. Os assuntos mais simples são aqueles dos quais você não entende nada.

Adaptação: é óbvio, não precisa saber mais sobre isso. Quando a análise do ativo é desnecessária, o conhecimento do negócio não importa. A logística não determina o lucro, ler é inútil, porque tudo depende da cotação, e ela é pura e simples mágica.

E por fim, a mais útil para adaptar ao mercado financeiro:

  1. Confiança é aquele sentimento que você tem antes de compreender a situação.

Adaptação: não existe certeza em renda variável.

Para encerrar a nossa conversa óbvia, mas necessária, não esqueça:

“Lei da gravidade:

Se você consegue manter a cabeça enquanto a sua volta todos estão perdendo as deles, provavelmente você não entende a gravidade da situação.”

“Lei da experiência:

Só sabe a profundidade da poça quem cai nela.”

“Lei da relatividade documentada:

Nada é tão fácil quanto parece e nem tão difícil quanto a explicação do manual.”

Até a próxima semana.

Plano Dica Beginner

 

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